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O que é a autoridade

Autoridade (do latim "auctoritas", de "augere": fazer crescer, aumentar, elevar)

A autoridade é a capacidade de orientar, guiar e decidir sem necessidade de impor pela força. Não é comando. Não é domínio. Não é prepotência.

A autoridade é o poder que os outros reconhecem, não o poder que se sofre.

As duas formas de autoridade

1. A autoridade imposta (o poder do tirano)

É a de quem manda porque tem os galões, a lei, a força. Não precisa do teu consentimento. Obriga-te. Exemplos: o político que decide sem te consultar, o burocrata que te nega um direito, o chefe que te chantageia com o trabalho. Esta não é verdadeira autoridade. É domínio. Baseia-se no medo, não no respeito.

2. A autoridade reconhecida (o poder do soberano)

É a de quem decide porque é competente, justo, autorizado. Não te impõe nada. Convence-te, guia-te, inspira-te. Exemplos: o médico que te explica o tratamento e respeita a tua escolha, o mestre que te ensina a pensar, o cidadão que propõe uma solução e a discute com os outros. Esta é a verdadeira autoridade. Baseia-se no consenso, não na força.

A autoridade do cidadão soberano

Na Comunidade de Soberanos, cada cidadão é autoridade. Porquê?

  • É origem do poder. Não o recebe de ninguém. Não tem de o pedir.
  • Tem o direito de decidir. Sobre a sua vida, o seu corpo, o seu trabalho, a sua casa.
  • Tem o direito de participar. Cada decisão pública lhe diz respeito. Portanto, deve poder dar a sua opinião.
  • Tem responsabilidade. Se decide, responde pelas suas decisões.

A autoridade do soberano não se impõe. Exerce-se. Não é arrogância. É dignidade. Não é prepotência. É consciência. Não é isolamento. É participação.

O súbdito pergunta: "Posso?". O soberano diz: "Decido".
O súbdito sofre a autoridade. O soberano é a autoridade.

1. O facto

Pensa na última vez que lidaste com um serviço público, um banco, um chefe, um médico, um professor, um burocrata.

Por uma carta registada fizeram-te esperar uma hora antes de te atenderem, e não em privado, mas ali diante de um vidro à prova de bala, rodeado de outros como tu à espera da sua vez.

Trataram-te como um delinquente, como um ser inferior.

Pediste explicações mas responderam-te que primeiro tinhas de pagar tudo imediatamente.

Que dia tão bonito!

Como te sentiste?

  • Como um zero?
  • Como um impotente?
  • Baixaste o olhar?
  • Aceitaste um "não" sem discutir porque de qualquer forma não teria servido de nada?

Se sim, sentiste-te como um súbdito. Não porque sejas inferior. Mas porque te ensinaram a sê-lo.

Ensinaram-te que a autoridade está noutro lugar. Que o poder é de outra pessoa. Que tu só deves obedecer, esperar, ter esperança e sobretudo pagar.

Esta é a mentira. Na Comunidade de Soberanos, tu és a autoridade. Porque tu és a origem do poder. Não o recebes de ninguém. Não tens de o pedir a ninguém. Pertence-te desde o nascimento.

2. O espelho da impotência (Hoje)

Como te comportas hoje?

Pedes permissão.

"Desculpe, posso...?" "Seria possível...?" "Se não for incómodo..."

Justificas-te.

"Desculpe incomodar..." "Sei que não é o momento..." "Talvez seja uma pergunta estúpida..."

Aceitas a recusa.

Se te dizem "não", vais-te embora. Não pedes explicações. Não exiges alternativas.

Delegas.

Se há um problema, chamas outra pessoa. Não tentas resolvê-lo tu.

Queixas-te.

Depois, com os amigos, no café. Mas não diante de quem decide.

Resultado: És tratado como um súbdito. Porque te comportas como um súbdito. Não é culpa tua: é o resultado de anos de treino. Mas agora podes mudar.

3. O espelho do poder (Comunidade de Soberanos)

Como te comportarias como soberano?

Na Comunidade de Soberanos, não existem serviços aos quais pedir permissão. Existem serviços que trabalham para ti. O burocrata não existe. Não existe um patrão: existe um cidadão soberano como tu cuja tarefa é ajudar-te a resolver um problema e fará tudo o que for possível para o resolver. O médico não é uma autoridade que decide sobre a tua vida: é um conselheiro que te informa.

Pedes uma consulta.

Quando chega a tua vez, entras num gabinete, fechas a porta atrás de ti, sentas-te, expões o teu problema, exiges uma solução. Com respeito, mas sem medo.

Não te justificas.

O teu pedido não é um incómodo. É um direito. E quem está atrás da secretária deve responder.

Não aceitas a recusa.

Se algo não funciona, pedes explicações. Propões alternativas. Não sais enquanto não tiveres uma resposta.

Não delegas.

Se há um problema, resolves-o. Tens as ferramentas, os conhecimentos, a autoridade.

Não te queixas.

Propões. Trazes soluções. Constróis.

Resultado: És tratado como um soberano. Porque te comportas como um soberano.

4. A comparação

SÚBDITO (Hoje) SOBERANO (Comunidade de Soberanos)
Pede permissão Decide
Justifica-se Expõe o seu direito
Aceita a recusa Exige explicações
Delega Governa
Queixa-se Propõe
Baixa o olhar Olha nos olhos
Espera Age
Tem medo Tem autoridade

5. A verificação

Exercício: "O Teste da Autoridade"

  1. Pensa na última vez que pediste permissão para algo que era teu direito. O que sentiste?
  2. Porque pediste permissão em vez de exigires o que te pertencia?
  3. Se te dissessem "não" sem explicações, o que farias hoje?
  4. O que farias como soberano?
  5. Qual é a diferença entre ser arrogante e ser autoritário?
  6. Como podes começar, desde amanhã, a comportar-te como um soberano?

6. As duas vozes

👶 Pino Medo diz:

  • "Não posso. Não tenho poder."
  • "Se pedir demais, expulsam-me."
  • "Melhor não fazer barulho."
  • "Há sempre alguém mais importante do que eu."
  • "Eu não conto para nada."

🌟 Sole Soberana diz:

  • "Eu sou a origem do poder."
  • "Tenho direito a uma resposta."
  • "A minha voz conta tanto como a de qualquer outro."
  • "Não peço permissão: ajo."
  • "Sou uma autoridade."

7. Aprofunda! Lê o livro

  • Capítulo 9: A Comunidade de Soberanos (o edifício de um só piso)
  • Capítulo 10: A Soberania Pessoal (o poder sobre si mesmo, o poder de fazer, o poder de decidir juntos)
  • Capítulo 24: O Consentimento Soberano (como decidir sem delegar)