Há um livro que descreve um mundo novo. Um mundo onde ninguém está acima de ninguém. Onde o tempo da vida regressa às mãos de quem o vive. Onde a habitação, o conhecimento, a saúde e o trabalho não são privilégios, mas direitos. Aqui estão as passagens mais importantes. As que, lidas com atenção, podem mudar a forma como olhas para o mundo.
As palavras roubadas
A Casta esvaziou as palavras que deveriam evocar justiça e dignidade. Usou-as para justificar exatamente o contrário do que deveriam representar. Por isso escolhemos duas palavras novas: Comunidade de Soberanos. Palavras que nunca foram pronunciadas pelos políticos nos seus comícios. Palavras virgens, limpas, poderosas.
Capítulo 9 – A Comunidade de Soberanos
O edifício de um só piso
Ninguém está acima de ninguém. Não está o político acima do cidadão. Nem o banqueiro acima do poupador. Nem o patrão acima do trabalhador. Somos todos soberanos. E os soberanos, por definição, estão todos no mesmo nível. Não existe um soberano de primeira e um soberano de segunda.
Capítulo 9.1 – O edifício de um só piso
O que significa ter o poder
O poder sobre si mesmo é a autodeterminação: ninguém pode decidir por ti no que diz respeito à tua vida, ao teu corpo, ao teu trabalho, à tua casa. O poder de fazer é a capacidade material: não basta ter o direito de decidir, tens de ter os meios para o fazer. O poder de decidir juntos é a participação: as decisões que afetam a comunidade devem ser tomadas juntos, de igual para igual, não por um chefe.
Capítulo 9.2 – O que significa ter o poder
O tempo da vida
É a pergunta que o sistema nunca te fará. Porque se a fizesse, e encontrasse uma resposta honesta, todo o castelo de cartas ruiria. Estamos de passagem. Temos poucas décadas, se tudo correr bem. E nestas poucas décadas, o que nos oferece o sistema? Trabalho precário. Rendas que devoram o salário. Saúde que nunca é realmente gratuita. Dívidas. Impostos. Guerras. Stress. Ansiedade. Medo. A Comunidade de Soberanos nasce precisamente desta pergunta. Da consciência de que o nosso tempo é limitado, precioso, irrepetível.
Capítulo 11 – O tempo da vida
A casa do soberano
Na Comunidade de Soberanos, cada cidadão recebe ao nascer uma casa em propriedade. Não em aluguer. Não com crédito. Em propriedade. Plena, total, irrevogável. Para sempre. Inalienável. Com jardim, com espaço de criação, com terreno para a horta familiar. Porque sem um lugar seguro, não és um soberano: és um refugiado.
Capítulo 12 – A casa do soberano
O Templo do Conhecimento
O conhecimento não é uma mercadoria. Não é uma obrigação. Não é um castigo. É o mais alto alimento da alma humana. Na Comunidade de Soberanos, a escola muda de nome e de natureza. Chama-se Templo do Conhecimento. Está aberto a todos, sempre. Sem notas, sem prazos, sem ansiedade. Apenas o prazer de aprender. Porque o conhecimento é o alimento da alma. E cada soberano tem o direito de se nutrir.
Capítulo 13 – O Templo do Conhecimento
A saúde não é um negócio
Contaram-te que este país tem um dos melhores serviços públicos de saúde do mundo. Que é gratuito, universal, acessível a todos. Repetiram-to tantas vezes que talvez tenhas acreditado. Olha agora para a realidade. Para receberes tratamento, muitas vezes tens de pagar. Taxas moderadoras sobre taxas moderadoras. A consulta no especialista? Taxa moderadora. Os exames? Taxa moderadora. O scanner? Taxa moderadora. A saúde é gratuita apenas no papel. Na realidade, é uma subscrição com custos crescentes. E as listas de espera? Marcas uma consulta com um especialista e dão-te uma data dentro de meses. Às vezes um ano. Se tens dinheiro, vais a uma clínica privada e resolves em uma semana. Se não tens, esperas. E enquanto esperas, a doença avança. E os medicamentos? Os essenciais são gratuitos, dizem. Mas os inovadores, os que realmente funcionam, custam milhares de euros. Se não podes pagar, ficas com a doença. E entretanto, a saúde privada prospera. Quanto pior está o público, mais ganha o privado. Pagas a saúde duas vezes. A primeira com os impostos, que já a deveriam garantir. A segunda com as taxas moderadoras, as consultas privadas, os medicamentos pagos. É o duplo roubo da saúde. O Estado tira-te o dinheiro, devolve-te um serviço que não funciona, e depois diz-te: «Se queres algo melhor, paga». E tu pagas. Porque não tens escolha. Porque a saúde não pode esperar.
Capítulo 14 – A saúde não é um negócio
O Consenso Soberano
Na Comunidade de Soberanos não existem eleições, não existem referendos por maioria, não existem votações onde uns ganham e outros perdem. Existe apenas o consenso unânime. Se mesmo um único cidadão estiver contra, a decisão não é tomada. Continua-se a discutir, ouve-se, procura-se um compromisso que sirva a todos. Porque se eu te imponho algo que não aceitas, estou a violar a tua soberania. E a tua soberania não é menos importante do que a minha.
Capítulo 24 – O Consenso Soberano
A moeda soberana
Na Comunidade de Soberanos, a moeda é digital, pública e sem dívida. Os bancos privados são abolidos. O senhoriagem regressa à Comunidade, ou seja, ao povo. Cada cidadão tem uma conta digital única, aberta ao nascer, que o acompanha toda a vida. Cada transação é rastreada. A corrupção torna-se impossível por conceção, não por esperança. E os impostos são abolidos. Todos.
Capítulo 22 – A moeda soberana
A justiça como reparação
Na Comunidade de Soberanos, a prisão não existe. Quem comete um crime não vai para a cadeia: repara. Com o seu trabalho. O valor do seu trabalho é pago primeiro à vítima, até à compensação completa. Depois à comunidade, para cobrir os custos do processo e como compensação pelo dano social. Quando a dívida está saldada, a pena extingue-se. A vítima obtém justiça concreta. A comunidade não gasta dinheiro a manter o recluso. O recluso contribui e aprende um ofício. A reincidência desaba.
Capítulo 21 – O sistema judicial
A revolução das mulheres
A dependência económica é o cadeado que mantém a jaula fechada. Neste país também, demasiadas mulheres continuam a ficar porque não têm dinheiro para se irem embora. A Comunidade de Soberanos quebra o cadeado pela raiz com cinco pilares: rendimento garantido, casa garantida, saúde garantida, trabalho garantido, conhecimento garantido. Com estes cinco pilares, a mulher é livre. Materialmente livre. Pode ir-se embora a qualquer momento, sem morrer de fome. Pode dizer «não» a um trabalho humilhante, a um chefe chantagista, a um parceiro violento. A jaula já não tem cadeado.
Capítulo 17 – A revolução das mulheres
O futuro aos jovens
Hoje neste país, ser jovem significa: precariedade laboral, contratos a termo, estágios não remunerados, rendas que devoram o salário, a impossibilidade de comprar casa, a emigração forçada, a natalidade em mínimos históricos. A geração mais qualificada da história é também a mais precária. Na Comunidade de Soberanos, ser jovem não é uma condenação. É uma oportunidade. Tens uma casa em teu nome. Tens um rendimento garantido. Tens um espaço de criação. Podes estudar o tempo que quiseres, sem dívidas. Podes lançar um projeto, financiado pela Comunidade. Podes ficar. Podes construir a tua vida aqui, na tua terra, perto da tua família, das tuas raízes. Porque aqui está tudo o que precisas.
Capítulo 18 – O futuro aos jovens
